Estávamos nós passeando na Praça Sãens Peña em plena idade adolescente, todos por volta de 12 a 15 anos. Explicando quem éramos: eu, Ney e meus irmãos "branquinhos" Luiz Carlos e Antônio Carlos respectivamente com nossas mães Neusa e Nair. Era o ano de 1969 e o homem acabara de pisar na lua. Havia recém aberto uma sorveteria chamada "Apolo 11" em homenagem a tal façanha. No balcão havia uma enorme lua de fibra de vidro cujas crateras serviam ao mesmo tempo como ventilação e comunicação entre o público e os sorveteiros. Depois de quarenta minutos na fila finalmente chegamos a "cratera dos pedidos". Como Luiz era o mais ávido pediu incisivamente: "Um Armstrong (nome do primeiro astronauta a pisar na lua) de creme!". - Hãaaam? Não ouviu o atendente. "UM ARMSTRONG DE CREME!" Repetiu mais alto - Hãaaaam? "UM ARMSTRONG DE CREME!" ainda mais alto. Vendo que o funcionário não o entendia, Luis introduziu sua cabeça na "cratera" e fez o seu pedido. Quando foi retirará-la teve problemas devido ao crânio avantajado(e por esta razão tornou-se um professor muito inteligente) e as orelhas grandes. Ficou entalado! E começaram as piadinhas: - Passa um chantili! - Chama os bombeiros! As mães apavoradas tentavam puxá-lo! Nada! Eu e Antônio não podíamos fazer nada já que o sorvete nos ocupava. A esta altura a estrutura começou a tremer e de repente a enorme lua pendeu para frente fazendo com que a multidão se espalhasse e num "crack!" veio tudo abaixo! Pânico e correria, crianças chorando, uma velha senhora que passava por ali gritou: - Quem mandou tocar a lua? É a vingança da natureza!!!
Passado o susto e com ninguém ferido vimos Luiz levantar-se da multidão já livre daquele adereço. Ele teve que contentar-se com um "Chicabon" da carrocinha já que tivemos que correr dali rapidinho!
Antonio depois que parou de rir não teve maiores traumas. Chato mesmo foi a manchete do jornal O Dia na manhã seguinte: "Cabeça de menino entala em cratera lunar".
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