No ano de 1987 fui transferido para São Paulo pela empresa em que trabalhava. Durante quatro meses ficamos hospedados em um apartamento-hotel em Itaim Bibi. Era uma "glória" para mim, afinal tendo todas aquelas mordomias sentia-me "poderoso". Era mês de dezembro, estava bem quente e a atmosfera natalina pairava no ar! Como estava "solteiro" pois minha família viria meses depois, adquiri um hábito um tanto extravagante: chegava esbaforido do trabalho, tirava toda a roupa e ia até a varanda por alguns segundos para espreguiçar-me. Confiava que o vidro fumê que a cercava me garantiria a intimidade. Imbuído pelo espírito das festas, resolvi comprar uma pequena árvore de Natal para dar um toque pessoal a decoração padrão do hotel. Num destes dias extremamente quentes cheguei ainda mais suado, peguei um folheto que o hotel havia deixado sobre a mesinha, fui à varanda. De repente uma lufada de vento entrou pela porta. Intuitivamente fechei a porta de correr para não derrubar a decoração! Clique! A desgraçada trancou por dentro! Estava eu ali, completamente nu, e na mão o livreto "Acompanhantes de aluguel"! Nada de pânico Ney - pensei! Não havia ninguém nas varandas circunvizinhas... Lá embaixo! Na piscina tinha um cara! Comecei a gritar e gesticular mas talvez pelo fato de estar no décimo-terceiro andar, ele até olhava mas não entendia... ou achou que estava louco! Foi embora! Sem problemas! Sabendo que o vizinho de baixo era o meu chefe e logo chegaria, desmontei o livreto e com um dos grampos escrevi sobre a foto de uma enorme nádega que havia na página central: "SOCORRO ESTOU PRESO NA VARANDA PELO LADO DE FORA! NEY". Para garantir que o bilhete cairia na varanda abaixo, com o restante da publicação fiz uma rabiola para soltar o documento no momento certo! Eis que passados alguns minutos de tentativa surge no balcão inferior esquerdo duas crianças que riram e imediatamente entraram para chamar a mãe!!! Logo que a senhora veio expliquei bem constrangido o ocorrido. Logo depois sobem dois funcionários com aquela risadinha irônica e me libertaram...
Fiquei surpreso ao saber que aqueles vizinhos eram os filhos e esposa do GERENTE DE PESSOAL da minha empresa!!
Mas o mais surpreendente é que ainda trabalhei sete anos lá!!!
sábado, 5 de novembro de 2011
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Cratera da Lua
Estávamos nós passeando na Praça Sãens Peña em plena idade adolescente, todos por volta de 12 a 15 anos. Explicando quem éramos: eu, Ney e meus irmãos "branquinhos" Luiz Carlos e Antônio Carlos respectivamente com nossas mães Neusa e Nair. Era o ano de 1969 e o homem acabara de pisar na lua. Havia recém aberto uma sorveteria chamada "Apolo 11" em homenagem a tal façanha. No balcão havia uma enorme lua de fibra de vidro cujas crateras serviam ao mesmo tempo como ventilação e comunicação entre o público e os sorveteiros. Depois de quarenta minutos na fila finalmente chegamos a "cratera dos pedidos". Como Luiz era o mais ávido pediu incisivamente: "Um Armstrong (nome do primeiro astronauta a pisar na lua) de creme!". - Hãaaam? Não ouviu o atendente. "UM ARMSTRONG DE CREME!" Repetiu mais alto - Hãaaaam? "UM ARMSTRONG DE CREME!" ainda mais alto. Vendo que o funcionário não o entendia, Luis introduziu sua cabeça na "cratera" e fez o seu pedido. Quando foi retirará-la teve problemas devido ao crânio avantajado(e por esta razão tornou-se um professor muito inteligente) e as orelhas grandes. Ficou entalado! E começaram as piadinhas: - Passa um chantili! - Chama os bombeiros! As mães apavoradas tentavam puxá-lo! Nada! Eu e Antônio não podíamos fazer nada já que o sorvete nos ocupava. A esta altura a estrutura começou a tremer e de repente a enorme lua pendeu para frente fazendo com que a multidão se espalhasse e num "crack!" veio tudo abaixo! Pânico e correria, crianças chorando, uma velha senhora que passava por ali gritou: - Quem mandou tocar a lua? É a vingança da natureza!!!
Passado o susto e com ninguém ferido vimos Luiz levantar-se da multidão já livre daquele adereço. Ele teve que contentar-se com um "Chicabon" da carrocinha já que tivemos que correr dali rapidinho!
Antonio depois que parou de rir não teve maiores traumas. Chato mesmo foi a manchete do jornal O Dia na manhã seguinte: "Cabeça de menino entala em cratera lunar".
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